Olhares

Existem duas coisas que me conseguem iluminar a nuvem mais cinzenta:

Este Olhar:



e Este:

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Momentos

Há momentos e cores que definem os dias


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a minha hora

esta é a minha hora. a hora em que o silêncio toma conta dos sonhos cor-de-mais-qualquer-coisa. a hora em que depois de todas as pestanas se fecharem e a respiração tomar um ritmo compassado. as portas se encostam para que o mundo dos sonhos seja deles, e eu me re-centre no meu umbigo. esta é a hora em que tantas vezes não sei onde pousar os olhos, não sei onde esconder as mãos...

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Era Verão

e nós aprendíamos a partilhar








e a cuidar dos mais pequeninos.

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Horas contadas

Acho sempre que o tempo é pouco, que não serei capaz de registar nada que valha as linhas que ocupa. Que a mente esvazia-se face à quase imposição de um: tenho de escrever um post se não a Fábrica fecha. E cá estou eu de coração e palavras em riste, na batalha para que os dias que escorrem se possam também aqui espelhar.  A culpa é do tempo, esse malvado roubador de textos em Fábricas de meninos. E do corre corre lufa lufa e cérebro desmaiado no final de tantos dias.
A esses, os dias, gosto de os ver a derreter, devagar, a serem preguiçosos e demorados e as horas em que somos "todos" se encherem de toques, abraços, gargalhadas, mimos, consolos, mais mimos, beijos e olhos que se tocam, num quero tanto que sejas meu para sempre. E este para sempre enche-me o peito, para os dias pé-de-lebre que nos fogem dos dedos, que nos fogem dos olhos... os dias mais rotineiros, mas injustos, em que há sempre a pressa de qualquer coisa, a hora de acordar, a rapidez no vestir, as mãos cheias de meninos e mochilas e casacos e minutos, muitos minutos a encher... um tempo de outras vidas, outras lutas e de nova a corrida do tirano tempo, despe, banho, sopas, pratos cheios, alguns beijos. Já é tão tarde, rápido para a cama, uma história que se acaba, o tempo é de dormir.

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Primeira composição do João

Mãe vai buscar um papel que eu quero escrever umas coisas, como se a mãe não se mostrasse muito disponível, pouco tempo depois voltou à mesa já de papel e lapiseira na mão. Quero escrever. Põe aí as letras que eu vou dizer. A mãe mostrou um ar de pouco interesse, talvez algumas letras do abecedário a permitissem voltar a estar atenta à conversa que circulava em volta da mesa familiar. A folha encheu-se numa guerra de letras, assim lhe chamou o João, e este foi o resultado final:

Ainda teve direito a uma pequena ilustração. O tempo haverá de dizer que a esta se seguirão muitas "guerras de letras" ou outras histórias mais apaziguadas com o seu autor.

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O regresso dos pais autoritários

Recebi por mail por uma caríssima amiga, e à falta de palavras minhas que venham brilhar neste blog, deixo-me algo que me parece muito muito pertinente.


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Os pais têm de recuperar a autoridade perdida e deixarem de querer agradar aos filhos, ou o mundo estará perdido, afirma um dos mais famosos pediatras do mundo. Fomos saber porquê.


Catarina Fonseca/ACTIVA | 10 Fev. 2010

Confesso que ia um bocado amedrontada. Afinal, ia entrevistar um dos homens responsáveis por um dos maiores escândalos educativos das últimas décadas, o homem que defendera a urgência do regresso ao poder dos pais contra os todo-poderosos filhos.
Acusado de tudo, de fascista para baixo, o pediatra líbio-francês Aldo Naouri diz que os pais se demitiram do seu papel de educadores e em vez disso se dedicam a satisfazer a criança, com o único desejo de se fazerem amar. Diz que confundimos frustração com privação. Diz que transmitimos à criança que não só pode ter tudo como tem direito a tudo, içando-a ao topo do edifício familiar, onde ela nunca esteve e onde nunca deveria estar. Diz que um filho hoje não é criado para se tornar ele próprio, mas para gratificar e servir o narcisismo dos pais. Diz que estamos perante uma epidemia que encoraja os pais a seduzirem as crianças, tornando-as assim em seres obsessivos, inseguros, amorfos e emocionalmente ineptos, que não sabem gerir as suas pulsões e são incapazes de encontrar o seu lugar no mundo.
Em resumo, esperava alguém mais parecido com o Deus do Velho Testamento, que me recebesse com raios e coriscos, ou pelo menos uma praga de gafanhotos. Em vez disso, recebeu-me com um sorriso só equivalente ao sol de Lisboa, agarrou-me na mão, perguntou-me por que é que não tinha filhos e assegurou-me que os homens são todos uns egoístas. "Portanto, madame, é só escolher um! São todos iguais!"

Por entre gargalhadas, falou-se de coisas muito sérias, como aquilo que andamos a fazer às crianças. Ora leiam.

- Então, nada de democracia para as crianças?
- Não. É fundamental que estejam numa relação vertical: os pais em cima, as crianças em baixo. Porque há uma diferença entre educar e criar. Criar é dar-lhe os cuidados básicos, dar-lhe banho, alimentá-lo, etc. É como criar galinhas. Educar é haver qualquer coisa que não existe e que é preciso formar. Por isso a criança não está nunca ao mesmo nível dos pais, não pode haver uma relação horizontal. Se quiser compreender o que se passa na cabeça de uma criança numa relação horizontal, imagine o seguinte: você está num avião, e o comandante vem sentar-se ao seu lado. Você pergunta, Mas quem é que está a guiar o avião? E ele diz, 'Ah, é um passageiro da primeira fila que eu pus no meu lugar.' A criança tem necessidade de alguém acima dela.

- As mães não se escandalizam com a mudança de hábitos que lhes aconselha?
- Nada disso. As mães estão petrificadas na sua angústia e precisam de se libertar. Eu digo, 'mas não vale a pena angustiarem-se dessa maneira, ser mãe é muito mais simples do que vocês pensam'. Digo-lhes que não vale a pena viverem preocupadas porque a criança não come, não dorme, ou vai ter ciúmes do irmão. Dou-lhes conselhos básicos e fáceis de seguir e tento fazer com que simplifiquem a máximo as suas vidas. O que eu quero é que a criança seja para os pais uma fonte de prazer e felicidade, e não um foco de sofrimento e angústia, e para que isso aconteça, os pais têm de estar descontraídos.

- As nossas avós não viviam nessa angústia...
- Pois não. Mas viviam num mundo em que havia três tipos de ordem: Deus, Rei e pai. Esse tipo de ordem fazia com que existisse qualquer coisa que as transcendia. Hoje todo o tipo de transcendência desapareceu, e quem ficou no lugar de Deus? A criança. Às mães que põem o filho nesse altar, eu simplifico a tarefa: digo - Não se cansem dessa maneira. Não se preocupem assim. Ponham-se a vocês próprias em primeiro lugar. Claro que não é uma coisa que elas estejam habituadas a fazer, ou sequer a ouvir, mas não é por isso que não podemos dizer-lhes, e não é por isso que elas vão deixar de ser capazes de o fazer. Acredito que vão ser capazes, porque é urgente: a bem das crianças, e a bem delas próprias. É preciso fazer as coisas de maneira tranquila, porque a mãe perfeita não existe, o pai perfeito não existe, a criança perfeita não existe.

- Mas as mães hoje têm uma vida tão difícil, é normal que se culpabilizem...
- Não é por trabalharem fora de casa que têm de se sentir culpadas. Peço às mães: lembrem-se do vosso primeiro amor. Quando não o viam durante três dias, morriam de saudades. Mas quando o voltavam a ver, assim que batiam os olhos nele era como se nunca se tivessem separado. Com as crianças, é exactamente igual. Quando tornam a encontrar a mãe, é como se ela nunca tivesse partido.

- Diz que os pais esqueceram o seu papel de educadores porque querem ser amados pelas crianças. Por que é que isto acontece?
- Como todas as crianças, tiveram conflitos com os pais. E como todas as crianças, amam-nos mas guardaram muitos ressentimentos. E não querem que os seus filhos tenham esse tipo de ressentimento em relação a eles. E pensam que a melhor maneira de o fazer é seduzir a criança para que ela o ame. O que é um enorme erro. Porque nesse momento, a relação vertical inverte-se. A hierarquia fica de pernas para o ar, e quando isso acontece, destruímos a crianças.

- O problema é que as pessoas confundem autoridade com violência. Autoridade é fazer-se obedecer, não é dar uma palmada, que o senhor aliás desaprova.
- Completamente! Não aprovo palmadas de que género for, nem na mão nem no rabo. Ter autoridade não é agredir a criança. Ter autoridade é dizer: 'Quero isto', e esperar ser obedecido. Quero que faças isto porque eu disse, e pronto. Autoridade é só isto, é assumir o seu dever. Não vale a pena ser violento, aliás porque a criança sente a autoridade. É quando o pai ou a mãe não está seguro do seu poder que a criança tenta ir mais longe. Quando há uma decisão que é assumida pelos pais, ela cumpre-a.

- Uma terapeuta de casal dizia que as pessoas hoje não têm falta de erotismo, dirigem-no é todo para as crianças...
- Sem dúvida. E é isso que é urgente mudar. O slogan 'a criança acima de tudo' deve ser substituído por 'o casal acima de tudo'. A saúde física e psíquica das crianças fabrica-se na cama dos pais. Por que isso não acontece é que há tantos divórcios, e depois a vida torna-se muito mais complicada para a mãe, o pai e a criança. Se elas decidem privilegiar a relação de casal, estão a proteger a criança.

- Educou os seus filhos da forma que defende?
- Sim sim, eu eduquei os meus três filhos tranquilamente. A autoridade significa serenidade, não violência. Ainda hoje, que eles já são mais do que adultos, nos reunimos às vezes para jantar. E no outro dia, falámos sobre as viagens de carro que costumávamos fazer - sempre viajei muito com eles. Quando se portavam mal, eu virava-me para trás e dizia: - Olhem que eu páro o carro e deixo-vos a todos aqui na autoestrada! - Só há pouco tempo é que percebi que eles achavam que eu estava a falar a sério e que seria capaz de os abandonar na estrada! (ri). Tal é a força da autoridade. Mas isso não tem importância, o importante é que funcionava! (ri)

- Diz que o pai tem de ser egoísta mas também diz que uma das tragédias do mundo moderno é a ausência do pai... Qual é então o papel do pai, para lá de ser egoísta?
- Tem duas funções: a primeira é a de possibilitar à mãe o exercício da sua feminilidade. A segunda é a de se oferecer ao filho ou filha como um escudo contra a invasão da mãe. Porque de outra maneira, a mãe vai tecer à volta do seu filho um útero virtual, extensível até ao infinito. O pai não está presente como a mãe, mas é preciso que esteja presente.

- Mas hoje exige-se aos pais que façam uma data de coisas, que mudem fraldas, que ponham a arrotar, que ensinem karaté...
- Não é preciso. Porque na cabeça das crianças tudo está muito claro: aquela que o filho ama acima de tudo é a mãe, que sempre respondeu às suas necessidades desde que estava na sua barriga. Se alguém lhe diz 'não', mesmo que seja a mãe, para ele a culpa é do pai. Ou quando muito, da não-mãe. No inconsciente de uma criança, o pai não existe. Só há a mãe. O pai tem de se construir, a bem das crianças e a bem da mãe delas.

- Antes de ler este livro não tinha consciência de que as crianças estavam tão perturbadas.
- Li um artigo recentemente do director do centro médico-pedagógico de Paris, que afirmava que em 2008 tinha recebido 394 novas famílias, e que a maior parte tinham problemas psicológicos. No fim da primária, 40% dos alunos ainda não dominam a língua, e isto é grave. E não porque tenham problemas físicos ou sejam burros: é porque não os sabemos educar. Mas é uma tarefa difícil, porque mesmo as instâncias governativas vão no sentido de seduzir a criança. Porque as crianças vendem, são um produto que se compra e se compara. Todo o mundo vai no sentido de deixar a criança fazer o que quer, porque é mais fácil que ela não cresça. Mas o que vai acontecer é que essas crianças, se não travadas, vão crescer e fabricar sociedades absolutamente abomináveis, onde será cada um por si, onde não haverá solidariedade.

- Nem cientistas... É o senhor quem o diz...
- (ri). Apesar de tudo, estou optimista. As pessoas querem saber como podem mudar. Não sou o único a dizer estas coisas, mas digo-as de forma bruta. Tenho 40 anos de experiência com pais e crianças. E é muito fácil mudar, quando começamos a ver a lógica das coisas. Além disso, o que eu pretendo é simplificar a vida das pessoas. Não quero voltar àquilo que se fazia há um século. Não quero pais castradores.

- O que é um pai castrador?
- Não é um pai autoritário, é um pai fraco, intranquilo, desconfortável na sua pele e na sua posição. O que eu digo é, a sua posição como pai ou mãe está assegurada à partida. Só tem de exercê-la. Uma vez, apareceu-me uma mãe muito alarmada porque a filha não dormia. Aconselhei-a a dizer à criança, antes de dormir: 'Podes dormir tranquila. Não preciso mais de ti hoje.' E a criança dormiu a noite toda. Por isso eu digo no fim das consultas, a todas as crianças, tenham elas 1, 7 ou 14 anos, 'Muito obrigado por me teres trazido os teus pais à consulta. Agora podes ficar descansado, eu ocupo-me deles.'


O QUE DEVEMOS FAZER...
Palavra de ordem: não compliquem.
Segundo Aldo Naouri, o esterilizador de biberões não faz sentido, nem desinfectar o mamilo.
- Os biberões devem lavar-se com água  quente da torneira.
- As nádegas do bebé devem ser lavadas com água e sabão.
- A roupa do bebé pode ser enfiada na máquina como o resto da roupa de casa.
- Em todas as idades, devem tomar-se as refeições familiares em conjunto.
- Um adolescente pode ir vestido da maneira que bem-entender.
- Petiscar, no caso de um adolescente, não é de condenar, porque precisam de imensas calorias.

 E O QUE NÃO DEVEMOS...
- Rituais antes de dormir, como a história ou a cantiga, é para irem à vida. Só servem para ritualizar o medo da criança. Deve-se mandar a criança para o quarto, e aí ela fará o que quiser com o seu tempo.
- Angustiar-nos com as horas de sono. É absolutamente necessário livrarmo-nos da obsessão do número de horas que eles dormem.
- Nunca, em circunstância alguma, se deve obrigar uma criança a comer.
- Biberão, chupeta e objectos de transição devem desaparecer antes do fim do segundo ano da criança.
- Bater nunca: nem na mão nem no rabo.
- Elogiar, só para coisas excepcionais.
- A criança não deve escolher a sua roupa.
- Uma ordem não tem de ser explicada, tem de ser executada. A explicação que é dada ao mesmo tempo que a ordem apaga a hierarquia. Se quiser explicar, só depois da ordem cumprida. A figura parental nunca, mas nunca, tem de se justificar perante o filho.


Para ler: 'Educar os Filhos', Aldo Naouri, Livros d'Hoje

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Escolhas nossas de cada dia


Todos os dias somos colocados perante escolhas. Difíceis, fáceis, algumas maiores, outras às quais não atribuímos grande importância. Somos confrontados também todos os dias com o resultado das nossas escolhas, somos aquilo que fazemos, as portas que fechamos, a brisa que recebemos, somos um produto de infinitas escolhas acumuladas e é com elas que temos de atravessar cada dia, de decisões outras e assim construindo o nosso universo.
Na maioria dos dias estou de bem com as minhas, apaziguadas a um canto da consciência, se as procuro desfilar perante os meus olhos e a minha memória, geralmente possuem todas a sua explicação, o seu quê de perfeito, a sua ordem naquela que represento e que me apresento.
Felizmente não existem escolhas difíceis todos os dias, as que fazem parte do dia a dia parecem ser remetidas para uma ala imaterial do cérebro e lá permanecerem na sua inconsistência consciente.
Hoje, são essas escolhas que desfilam na minha mente, as escolhas que fazemos dia a dia, ao educar, ao mostrar, ao dar, ao tirar, ao abrir, ao castrar... inúmeras pequenas acções que vão imprimindo carácter, vão moldando as suas pequenas vidas.
Uma amiga que tanto sabe disse-me um dia para escolher as batalhas, nunca as irei ganhar todas, por isso fazer uma lista daquilo que considero mesmo importante não ceder, e manter-me fiel a essa lista. Nas outras coisas, um pouco de maneabilidade não fará mal. Fiz a lista mentalmente, sei na teoria, o que é necessário para que eu considere alguém uma boa pessoa, ou uma pessoa só assim assim, ou até má. Sei na teoria.  E sei que os super-heróis são os bons da fita, e que os vilões são os maus.  Sei que "respeito" e "serenidade" são conceitos demasiado abstractos para serem ensinados, e que por vezes precisamos de ajuda para conseguir explicar, com palavras mais pequenas, aquilo que queremos explicar. Sei que é importante o exemplo, sei que mil vezes poderei mostrar com o meu comportamento aquilo que tantas palavras não poderão explicar.
E sei também que há horas de tudo, há horas em que a voz se mantém firme sem perder a serenidade, e há horas outras em que sem saber muito bem de onde, a voz se avoluma, e a minha figura fica do tamanho das sombras e faz tudo aquilo que eu lhes digo para não fazer.
Sei que há horas que provavelmente estarei a fazer a coisa mais acertada, se a coisa acertada existir, e sei que há outras que estarei redondamente a errar. Sei que o meu desejo de permanentemente fazer a escolha certa, agir da maneira correcta, não me impedirá nunca de errar.
Mas hoje estas palavras escorrem como prece, a prece das escolhas dos aflitos, dos que se deixam guiar, para que podendo estar a escolher bem, ou a escolher mal, eu possa sempre mostrar firmeza, serenidade e discernimento.
E quando a serenidade me abandonar, a voz se avolumar, e face a uma decisão a tomar para lhes mostrar um caminho eu pareça um gigante ensombrado, perdido aos seus e aos meus olhos sem saber o que fazer.  Que a vida possa mostrar-me a humildade de lhes fazer entender que as mães também erram, também por vezes se esquecem que gritar não é bonito, que se esquecem que há palavras que os filhos ainda não sabem entender, que não sabem muito bem se o castigo acaba ali ou se deve continuar, que não sabem por onde ir, porque alguém se esqueceu de nos mostrar o caminho.
E que a vida me possa dar a infinita capacidade de lhes mostrar que a cada escolha que fazemos, há algo que fica para trás e algo que nos imprime, na pele, nos olhos e na parte de dentro do peito, um Eu.
A minha escolha hoje foi a de despojar esta imperfeição, a das escolhas que nos marcam levemente, a das escolhas que residem dúvidas, estas escolhas pequeninas que se chamam educar, criar, amar, e que hoje me apertam o peito, e que amanhã não deixaram de apertar.
E de um abraço bem apertado nestas pequenas vidas que já não são minhas, no profundo desejo de lhes estar a mostrar o melhor caminho.

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Dificil de Explicar

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18 meses de Clara

Recordo esse dia numa memória que ainda não tem nuvens. É tudo tão claro, tão cheio de detalhes que arrepia. A hora da madrugada em que quebramos o silêncio do bloco de partos, o nascer quase tranquilo, o corpo sentido do lado de fora, o respirar com gemido, a incubadora, os pernas excessivamente inchadas ao longo de um dia a subir a descer pisos, o sentimento da distância, o dormir sozinha sem ninguém na barriga e sem ninguém ao lado, as dores dessa noite, o amanhecer e finalmente amamentar a minha cria, um colo meu no seu corpo nu e perfeito depois vesti-la de roupas e de afectos.

Um ano e meio de descobertas neste ser mãe outra vez, que me inunda por dentro de uma energia tão nova e diferente. Esta surpresa de poder amar tanto e cada vez mais. Esta imensa família que nunca esperei ter. Uma moldura bonita que hoje decidi pendurar na parede da minha memória, a lembrar todos estes belos 18 meses em que me transformei, devagarinho, num eu maior, mais forte, mais capaz.

A Clara é uma delícia, um encanto, de personalidade viva e vibrante, senhora de um nariz arrebitado e barriga empinada. Um pouco empertigada mas  tão doce. Dá abraços e alguns beijos. Gosta de risos, de andar muito depressa, às vezes até gosta de cair, quando o faz devagarinho e parecendo rebolar quando chega ao chão. E ri-se, ri-se muito como se a essência da felicidade estivesse naquele louco tombo.

Gosta dos irmãos, que a provoquem, que a façam rir, mas não gosta que a apertem, que a condicionem. Dizendo um "pára" inequívoco. Ou um "itão?"

Fala muito , de palradora de palavras sem sentido passou a falar muitas coisas que se percebem, foi um repente e agora faz-se entender com palavras dela e nossas: bada (água) impinho (guardanapo - de limpinho) papinha (=) opinha (sopinha) bebé (=) apato (sapato) pé (=) beia (meia) élha (orelha) mão (=) dudu (=) oão (João) mano (=) caca (vaca) ixa (xixa) bigo (umbigo) pipi (=) mãe (=) pai (=) bóbó (vovó) roji (arroz) batapita (batata frita) qué (quero) eitinho (leitinho) não (=) xim (sim) colho (colo) banhinho (=) chão (=) teté (chupeta) ola e xau.... bolha (bola) aça (maça) naninha (bananinha) buta (fruta) cóco (óculos) cão (=) gaco (gato) uz(luz) xai (sai) queijo (=) ixo (lixo ou bicho) cocó (para pedir a música doidas doidas doidas) e sobretudo he he he a toda a hora para pedir qualquer coisa...

Adenda de palavras que me esqueci: vinho (=)  eija (cerveja) fecha (=) abe (abre) dá (=) pega (=) toma (=) alda (fralda) pota (porta) ois (dois) alhau (bacalhau)deita (=) mas deita serve para almofada, cama...

E começa a juntar em frases: hum qué pão, hum qué teté, quem é?, hum tá e outras que inventa apato oão pé... dudu hum pota...a colho a bebé... pota fecha...


Da consulta poucas advertências fica o peso 10,9kg e o tamanho 80cm, andar descalça e ir à praia e comer de tudo.

Não sei se registei aqui, mas a Clara começou a andar com 16 meses e 10 dias, no dia da festa da aniversário da prima. Depois teve uma pausa de duas semanas ao fim das quais aventurou-se outra vez.

Clara caminha para ser feliz.

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Mesmo no meio de um duro dia de trabalho

E de eu permanecer serena a maioria dos dias. De vez em quando um assombro de tristeza transforma-me os olhos em cor de vidro... o João é gémeo de um anjo e às vezes eu não entendo em mim o que isto quer dizer...

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ser

De repente a brisa plácida e calma. Um pouco de um calor cinza que bate no rosto e o anima. Observar o dentro que se reclina suavemente para fora. Sou dos dias de sempre, das madrugadas tranquilas, dos céus que se renovam a cada instante, prometendo e oferecendo inúmeras  possibilidades de cenário. Sou as manhãs calmas, vagarosas e com preguiça a beber o sol em golos pequeninos. Sou dos abraços que se espelham no peito e do beijo repenicado e húmido que escolhe o calor da face amanhecida. Por vezes esqueço, a tranquilidade parece querer ir morar noutra brisa que não esta, e uma inquietação sempre desconhecida e nova vem morar-me nos olhos e nas mãos que se tornam ineficazes. Esqueço-me da matéria de que sou feita e da qual, como barro, posso moldar cada dia se tiver brio e afinco. E pareço ver ao longe este corpo estrangeiro, desfalecer depois de quebrado e curvar-se perante a inquietude e a sombra. Hoje a brisa plácida, calma e cheia de chilreios inundou-me os olhos de caminhos, encheu-me de uma nova força anímica, quem se não eu pode guiar os passos pelos dias? Não sei por onde quero ir, que portas se abrirão ou que abrirei, não sei que canto é este que hoje ouço e que me transforma. Mas sei que não posso suspender os sorrisos que me olham expectantes, que me esperam, que me abraçam com seu brilho e que me exigem que seja aquela por quem o seu coração bate e desespera. A mãe serena, firme e crente, nos dias, neles e em todo o sentido que tem cada minuto de vida.

E nesse reencontro comigo e com a vida, encontrar os olhos que o amor identifica, beber-lhes toda a doçura e vestir-me dela. Ser afinal, com verdade e pureza aquela que faz os seus mundos, que pinta os céus, que doura as estrelas. Hoje é dia de sacudir o pó do baú onde moram os pincéis da vida.

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Por antecipação

O corpo encolhe-se um pouco, para a frente e para baixo, de repente pareço ter levado um murro no estômago vindo do nada. Oferece-me o sentimento de um vómito que fica a pairar no horizonte dos dias de amanhã. Confirma-se que há vaga para a Clara na creche, desejo nosso de que vá em Setembro. Mas num assombro de ser mãe e de ter esta amarra presa ao meu corpo visualizo os dias da separação, as horas intermináveis, o saber se está bem... o acontecer diferente dos dias. E depois a aceitação, o saber que é assim, e que tal como o João vai chegar o dia que a vou deixar ali com uma confiança quase cega e absurda e que nem sempre o meu pensamento irá para eles durante o dia, e que nem sempre sei o que lhes acontece, como passam estas inacreditáveis oito horas. De que matéria será feito os seus pensamentos e em que apuros não estarão envolvidos ao longo de uma longa jornada. E a sensação persiste, a do murro no estômago, a de vómito e a da resignação que se segue. Um dia teremos de deixá-los ir. De lhes limpar o pó das asas não usadas, sacudir-lhes o voo, beijar-lhes a fronte escondendo as lágrimas e o coração que se aperta, e a garganta que se encolhe, e o grito que sufoca de um pavor que diz e agora que faço eu? E sempre o dever: Deixo-te ir. Voa que agora o mundo é teu.

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Ontem foi o dia do 33

e para balanço de vida em número redondo, fica o registo de 33 coisas pelas quais sou grata:


1- Pela vida
2- Pelos meus pais
3- Pelos meus filhos
4- Por ter um tecto
5- Por ter quem me ame
6- Por saber o que é amar um filho que não é meu
7- Pelos amigos que ficam
8- Por acreditar no amanhã
9- Por acordar
10- Por ter 33 anos com saúde e pela saúde dos que são meus
11- Por gostar de fazer muitas coisas
12- Por ter tido sempre muitos livros para ler
13- Pelo teatro morar em mim
14- Por todos os pores-do-sol
15- Pelos céus vermelhos que já vi acontecer
16- Pelos sorrisos de manhã dos meus bonecos
17-Por ter um emprego
18- Por todas as palavras que consigo escrever
19- Por saber que um raio de sol pode transformar o meu dia
20- Pelos abraços sinceros
21- Pelas viagens e terras que já conheci
22- Pelas memórias
23- Por nada ter sido em vão
24- Por todos que acreditam em mim
25- Por ter uma casa cheia
26- Porque nunca me faltou alimento
27- Por ter um ofício
28- Por ter uma família grande, unida e que me é querida
29- Por ser tia
30- Por cada dia
31- Por todas as vezes que fui além do que seria possível
32- Por cada coisa que corrigi em mim
33- Por ter chegado aqui

Talvez fossem mais, talvez existam outras, talvez pudessem estar aqui 33 coisas diferentes e fazerem também sentido. Importante é sabermos que estamos vivos, e depois de o sabermos decidirmos o que vamos fazer com isso.

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João Questiona [?] III

- Mãe como é que o médico tira o bebé da barriga das mães?
- Ele abre um buraquinho na barriga e tira de lá o bebé... (sempre achei a versão da cesariana um pouco mais leve e adequada)
- Mas como? Explica-me melhor.
- Bem, olha para a tua mochila com coisas lá dentro, abres o fecho tiras o que está dentro e depois fechas outra vez.

Felizmente e por enquanto ficamos por aqui

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João comenta

- Mãe quando eu for grande quero ser cortador.
- Cortador?
- Não enganei-me, jardinador, não jardineiro.
- Que bonito filho...
- Eu quero cortar a relva, por flores, tratar das plantas...
 - Está bem João, tens de ir treinando na casa do avô!

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João questiona [?] II

- Mãe porque é que eu não estava na tua barriga quando tu eras pequenina?
- (...) Tu estavas filho, mas eras um coração mágico.
- Um coração mágico?
- Sim um coração mágico, como uma bolinha, que um dia o pai plantou lá uma semente e transformou-se em João?
- (Um grande sorriso) - transformou-se!?

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João questiona [?]

- Mãe, quem são os teus tios.
- São este... e este... e este e aquele.... (muitos)
- Mãe quem são os teus papás?
- São a tua vovó Q. e o teu avô J.
- Mãe quem são os papás do meu papá?
- São o avô F. e a avó E.
- A avó E. já foi para o céu.
- Já filho já foi para o céu.
- Mãe e quem são os papás da minha avó?
- São o teu bivu e a tua bivó
- Mãe e porquê que o meu avô J. não tem papás.
- Porque já foram morar no céu João.
- Porquê que eles foram morar no céu?
- (Glup) Já estavam muito cansados, então foram para o céu para descansar, porque no céu é muito sossegado.
- E onde é que eles estão (enquanto olhava para cima).
- Não sei filho, o céu é muito grande e eles podem morar atrás de uma dessas estrelas. E até mudar de estrela de vez em quando.


- Mãe... eu não quero ir para o céu.

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Seis

Uma grande família é assim que eu nos sinto, um imenso cinco. Cinco de circular e de abraço apertado. Um cinco de cinco estrelas e de cinco pontas de uma. Um círculo perfeito, de peças maleáveis e docinhas. Vamos cada um de nós se moldando aos outros, se deixando infiltrar pelos feitios, pelas pequenas subtilezas de cada um. Às vezes neste acto de nos adaptarmos, há atritos, pequenas fricções, outras vezes avanços, mãos que se apertam, peitos que se abraçam. Somos uma família grande, maior que a maioria das famílias que conhecemos. Aos olhos de muitos que estão do lado de fora, parecemos muitos, somos espaçosos, de pouca portabilidade. Um olhar que parece dizer já chega que 3 é boa conta (e muitas vezes as vozes que verbalizam mesmo isso, como se houvesse uma conta certa, que geralmente na cabeça de uma maioria é a de um casal, menino e menina, o terceiro filho faz sentido se os dois primeiros forem do mesmo sexo). A nossa conta assim é, e assim será, e enquanto a vida for aquilo que nos é apresentado, continuaremos a ser cinco. Um mágico 5 que se desenha e nos sorri.  A razão sabe que a vida é o que é, não é outra e este perfeito cinco é o que me ilumina, acende e permanece. O coração por vezes  pensa na alegria que seria poder ser mãe outra vez, experimentar ainda mais uma vez um novo amor, um novo milagre, dividir-me de novo em nome de um seis mas a realidade é bem mais concreta e determinante.

O João, que até viveu dias conturbados por ciúme da sua mana e por não ter as atenções tão centradas no seu ser menino, que se pega com o irmão grande por coisas pequenitas, por várias vezes já tem dito que queria que fossemos seis. Eu queria seis, um mano mais pequenino de quem a mana e eu e o Dudu fossemos os manos maiores. Um rapaz, só nosso. Seis, eu queria seis. Eu sorrio. brinco. E onde poríamos esse novo bebé? Ele magica lugares no seu projecto inocente...

Este seu olhar menino, que sempre pergunta quem é a irmã e o irmão de alguém, que não entende muito bem porque os outros não têm dois irmãos como ele, é para mim digno de encanto e de nota. Um brilhante desígnio de que no futuro possa haver um olhar diferente para as coisas e para o mundo. Um olhar em que os manos e os filhos não são estorvos, não são a mais nem são a menos, são os nossos, que nos apoiam e que estão num para sempre lá. E que ao olharem para a nossa família de cinco, consigam ver nos seus olhos brilhantes a alegria que é poder multiplicar o amor. E que nos nossos corações, fosse a vida um pouco mais favorável, ainda caberia certamente mais um (ou até dois)....

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Pequenas grandes enormes e brilhantes coisas


Crescer é e sempre será uma aventura. Descobrir a massa de que se faz o mundo, aperta-la nas mãos e deixar que se misture com os nossos pequenos e interrogadores dedos.  Um processo demorado e lento, cheio de pequenas areias e grandes planícies. Cheio de porquês, e comos e também cheio de esperanças. Em mim o encanto de os ver a crescer assim, lado a lado, mão na mão, a multiplicar os sonhos nos desejos do outro.

Nota Importante para um futuro que vê a memória enevoada: Nenhuma destas imagens foi pedida, só os sentamos, o beijo, as expressões, o não largar a caixinha, isso foi a espontaneidade.

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Fim de dia

Corre corre lufa lufa agiganta encolhe passa rodeia escolhe e termina, todos os dias com o sentimento de que foi pouco de que quero mais, que preciso de mais energia, para esticar o dia, para vê-lo a crescer. Neste imenso inicio de ano, de inverno prolongado, de portas fechadas, voltadas para o dentro de nós. Os dias sabem a pouco, muito pouco, apenas o intervalo do chegar a casa ao fim da tarde, a necessidade do tempo de preparar um jantar, a ausência de pouco mais que uns minutos para estar, somente ali, a olha-los a sentir-lhes o cheiro, a beber-lhes as gargalhadas. Um fiquem aí que eu tenho que, e este tenho que, que vai esmagando todos os dias, num súbito jantar, por vezes mais tardio que o desejável, já com cansaços à mistura, lutas inglórias para que termine com os pratos vazios, correr para um banho a dois, momento belo mas que não convém que se prolongue se não o amanhecer será difícil. Um abraço quentinho enquanto limpo a Clara e a faço dar gargalhadas, fica deitada na sua caminha ou espera na sala com o irmão pela sua vez, enquanto o João sai do banho onde ficou a ensaiar poses de mergulhador. Às vezes rimos, às vezes não, o João é um público mais difícil para as minhas palhaçadas, que lhe puxo o cabelo, que o pente magoa, que a roupa não está quente, que lhe aperto o braço. E ao lavar os dentes invento uma música estapafurdia e sempre nasce o seu sorriso, ou a gargalhada misturada com sono. A cama amarelada pela luz da sua lua quarto minguante encostada na parede, o seu inseparável ursinho cuja voz transformo e sempre lhe fala das saudades que sente. Sabes porque não vou para a tua escola João? Porque lá não é uma escola de ursos... E os dois abraçados. Um fica aqui, só um bocadinho, tenho medo. Mas não precisas. Gosta do meu cheiro, fecha os olhos. Afasto-me num tem que ser. Falta a mana, às vezes. Vou busca-la depois de preparar o morno leite com que se embala. Que doces cheiros. Deito-a, depois do leite fecha os olhos devagar e com magia. Que momento. Este em que o sono lhes vence o dia e de repente a realidade se transforma. Ansiei por este momento, em que sou minha, em que o dia é meu e em que a tranquilidade veste a casa. E quase invariavelmente pouco depois deito-me também. Sinto que perco, que me perco, nesse pedaço de tempo em que podia ter mais de mim. Mas neste momento, normalmente, vence o cansaço.

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Voltar a casa

Voltar a casa é sempre um misto de alívio e euforia... um aqui é que eu estou bem, quando a porta se fecha e deixa de existir o mundo de fora. Regressar a casa é fechar os olhos e engoli-los para um dentro que se agiganta quanto mais visto de perto. Voltar a casa é encontrar as palavras para tantos dias, dias que pouco a pouco se fizeram memórias, tiveram carne e corpo e foram passando a imaterialidade, névoa condensada em imagens que desfilando dão sentido à palavra: aconteceu!
E tanto que aconteceu, e as palavras foram ficando para trás, ou só nos pensamentos. Lugares fugidios e  efémeros onde interpretamos cada coisa que os nossos sentidos acumulam.
Fez-se a festa de aniversário, aconteceu o Natal e começou um novo e redondo ano com duas luas cheias no número que o completa. Um ano que sempre começa com expectativas, com desejos de mudanças, com vontade de crescer. Um ano que se não for "o" ano há-de ter sabor a amargura e a falta de esse pequeno esforço que faz com que as coisas se tornem saborosas, proveitosas, especiais.
Faça-se o esforço de reescrever cada dia, de o passar a limpo com pente fino, de o esvaziar do que não foi positivo para não o repetir.

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Para quem ande por aí

As palavras não andam a querer sair... parece-me sempre pouco o tempo para dizer tudo o que não foi ainda dito, para o registo do que a vida nos vai dando.
Vou tentando, está quase, será um vómito imenso de palavras e emoções... mas para já ainda, simplesmente não quer sair...

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