Aqui e agora, esse é o tempo, o nosso tempo

Prefácio:
Voltado ao abandono durante largos períodos, eis que o espaço me parece cada vez mais frio e menos meu. De vez em quando venho namorar-lhe os posts antigos, admirar-me com o tempo que passa, ou reler as poucas memórias que aqui vou deixando. Este não é um baby blog, é um mother blog, o meu... sempre na perspectiva de me voltar para eles, e de um dia aqui terem algum registo dos dias de menos memórias.
Aqui volto, desafiada, por alguém... por que há muito que me apetecia voltar e porque preciso de tempo, tempo para amadurecer as palavras no céu da boca, tempo para olhar as imagens que passam, tempo... apenas. E chegar-me aqui de coração palpitante e dedos ávidos de letras, soando os dias em frases sempre desafiadoras.

Introdução:
Este post centra-se no facto de que não existe outro tempo, não há nada para além do agora, e este perspectivar de que no Aqui é que está o tudo, deixa-nos com uma saborosa sensação de poder. Infelizmente a ansiedade, o desejo e até a voracidade de outros momentos, deixa-nos muitas vezes a viver num agora esquecido, e a projectar sempre o depois, o depois e o depois.

o Sumo Espremido:
Que dias! Tomo-lhes os braços e pouso o seu peso menino no meu colo, sempre embevecido. E o pensamento traiçoeiro voa muitas vezes para o futuro. Agora, digo-lhe imperativamente. Agora. E ele volta (o tempo, entenda-se), mas fica a imagem retida num cantinho dos segundo que passaram: de: um dia não quererão este colo, um dia não se colarão a mim neste jeito que aquece a pele. Agora! O agora é o momento do belo e do grotesco. Da idade das descobertas, da surpresa com o que dizem, dos sorriso brilhante e da mão doce sobre a minha mão. E também é o tempo do desassossego, do não faças isso, do para quieto por favor, do quantas vezes eu já disse... do. Agora, é então o quê? Este balançar, este estou bem e estou desesperada, este amo-vos tanto, sobressaltado por um façam pouco barulho por favor.
Os dias não são sossegados, a casa enche-se, ora de gargalhadas, ora de gritos (com as gargalhadas posso eu bem, agora com gritos) e há sempre agoras mais surpreendentes que outros.

O João gosta de filosofar sobre a vida, e apesar de muitas vezes ser um menino birrento e impaciente, tem alturas em que o seu entendimento da vida e das gentes é algo profundamente avassalador (fico muda ao ouvi-lo, não posso dizer-lhe que ele entende assim tão bem as maldades, as injustiças, seria cruel) e eu remeto-me à escuta silenciosa e a perguntar-lhe, sempre, porque pensa ele assim.

A Clara repete, recicla e reinventa o mundo a cada observação, observa cada detalhe minuciosamente e brinda-nos sempre com comentários repletos de exactidão (se não tivesse a esforçar-me por ser um bocadinho cuidada neste discurso, diria em jeito popular que "não lhe escapa nada"). Na sua pequenês doce começa Agora com as birras mais fortes. Chora, grita, desunha-se. e num repente passa, e a sua calma volta parecendo que nada aconteceu.

O Agora é: este querer não marear, tal a força das orcilações de humores. De manter o "balance", de levar-lhes sempre sorrisos, ainda que em certos dias, por trás do sorriso, exista cansaço de outros Agoras que não o deles.

pós-Agora
No que se segue, para não alongar este primeiro de muitos textos em que os nossos agoras brotarão como cogumelos nesta fábrica, no que se segue, existe este caminhar. Este: primeiro é isto que importa, estas minhas miniaturas de gente, que sendo pedaço dos meus, tantas vezes, estilhaços de gente, são quem me agrega, quem me sustém e quem enche de unidade e quem me recentra, de cada vez que o meu espírito, às vezes ainda imaturo, às vezes ainda adolescente, cai na banalidade de não saber o que fazer pós-Agora.

ainda poderia ser dito (ou Anexos)
O João terá amanhã a sua festa de finalistas do Infantário e eu estou numa ansiedade e nervosismo que não se compreendem.
A Clara passou toda a semana com mais uma das suas crises de bronquios.
Tive dois dias seguidos em que não estava em casa na hora de os deitar, e não sei aprender a lidar com isso sem sentir sentimento de culpa
Eu às vezes ainda não sei o que quero ser quando eu crescer... e os meus pequenos devem de algum modo sofrer com isso
De tantas alegrias que me dão, a maior delas é um simples e espontâneo, de nariz colado, gosto de ti.
Eu queria trabalhar apenas das 10h às 17h e depois deles dormirem...

Reflexão:
Não foi de uma eloquência fantástica, mas dado ao tom ressacado da escrita, acho que serve para querer voltar. Breve, com mais agoras, sins e porquês.

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