Caiu do céu

Uma estrela,
e por engano a janela tinha sido deixado aberta nessa noite.
No chão do quarto adormecido, está um brilho desmesurado que inunda os sonhos de uma luz tão nova.
Ninguém sabe como aconteceu,
talvez tenha sido apenas uma brisa ligeira, que brincalhona, cortou o fio transparente que prendia a estrela no céu.

Xiuuuuuu!

De manhãzinha, quando os olhos amanhecidos despertaram para a luz do dia e daquele pequeno astro caído, os pés fizeram-se de lã e em pontas aproximaram-se curiosos.

Que bela era, sorriam enquanto a contemplavam sentados ao lado do brilho, agora também reflectido nos seus rostos.

Os manos davam as mãos de felicidade e esperavam...
... afinal, as estrelas adormecem quando chega o dia!*


nota pequenina: tenho andado longe desta fábrica de fazer mundos, lugar onde o João, envolto em palavras foi descrito e foi crescendo. Fica hoje esta pequenina história, de estrelas, de céus que se constróem... memória ou promessa daquilo que também sou e tenho para lhes dar. (propositadamente em cor diferente dos registos)

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A Parábola da Vaca

Era uma vez, um sábio chinês e seu discípulo. Em suas andanças, avistaram um casebre de extrema pobreza onde vivia um homem, uma mulher, 3 filhos pequenos e uma vaquinha magra e cansada. Com fome e sede o sábio e o discípulo pediram abrigo e foram recebidos. O sábio perguntou como conseguiam sobreviver na pobreza e longe de tudo.
- O senhor vê aquela vaca ? - disse o homem. Dela tiramos todo o sustento. Ela nos dá leite que bebemos e transformamos em queijo e coalhada. Quando sobra, vamos à cidade e trocamos por outros alimentos. É assim que vivemos.
O sábio agradeceu e partiu com o discípulo. Nem bem fizeram a primeira curva, disse ao discípulo :
- Volte lá, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali em frente e atire-a lá em baixo.
o discípulo não acreditou.
- Não posso fazer isso, mestre ! Como pode ser tão ingrato ? A vaquinha é tudo o que eles têm. Se a vaca morrer, eles morrem !
O sábio, como convém aos sábios chineses, apenas respirou fundo e repetiu a ordem :
- Vá lá e empurre a vaquinha.
Indignado porém resignado, o discípulo assim fez. A vaca, previsivelmente, estatelou-se lá embaixo.
Alguns anos se passaram e o discípulo sempre com remorso. Num certo dia, moído pela culpa, abandonou o sábio e decidiu voltar àquele lugar. Queria ajudar a família, pedir desculpas. ao fazer a curva da estrada, não acreditou no que seus olhos viram. No lugar do casebre desmazelado havia um sítio maravilhoso, com árvores, piscina, carro importando, antena parabólica. Perto da churrasqueira, adolescentes, lindos, robustos comemorando com os pais a conquista do primeiro milhão. O coração do discípulo gelou. Decerto, vencidos pela fome, foram obrigados a vender o terreno e ir embora. Devem estar mendigando na rua, pensou o discípulo.
Aproximou-se do caseiro e perguntou se ele sabia o paradeiro da família que havia morado lá.
- Claro que sei. Você está olhando para ela.
Incrédulo, o discípulo afastou o portão, deu alguns passos e reconheceu o mesmo homem de antes, só que mais forte, altivo, a mulher mais feliz e as crianças, jovens saudáveis. Espantado, dirigiu-se ao homem e disse :
- Mas o que aconteceu ? Estive aqui com meu mestre alguns anos atrás e era um lugar miserável, não havia nada. O que o senhor fez para melhorar de vida em tão pouco tempo ?
O homem olhou para o discípulo, sorriu e respondeu :
- Nós tínhamos uma vaquinha, de onde tirávamos o nosso sustento. Era tudo o que possuíamos, mas um dia ela caiu no precipício e morreu. Para sobreviver, tivemos que fazer outras coisas, desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos.
E foi assim, buscando novas soluções, que hoje estamos muito melhor que antes.


- Moral da história : às vezes é preciso perder para ganhar mais adiante. É com a adversidade que exercitamos nossa criatividade e criamos soluções para os problemas da vida. Muitas vezes é preciso sair da acomodação, criar novas idéias e trabalhar com amor e determinação.

- O porquê desta parábola: Uma das nossas Vacas morreu!

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7 MESES


Chegamos ao 7, número mágico num mês de número 7... Todos em uníssono a cantar um enorme bem haja à minha bela princesa. Está gordinha, e já perdeu o aspecto de ser pequenina. Tem umas pernas roliças e uns olhos vivos de quem gosta de comer mundos. Do cabelo caído sobrou uma franja que lhe dá um ar fric. É toda morena, mesmo sem sol tem a cor mais escura que irmão, e a sobrancelha carrecada e até um ligeiro bucinho preto que lhe vai dar dor de cabeça bem cedo. Agarra os brinquedos e leva-os à boca, mas não os passa de uma mão para outra. Já come sopinha ao almoço e papa ao lanche, vamos tentando a meio da manhã que coma fruta, mas até agora parece não gostar de nada do que provou. É a minha princesa, sossegada mas manhosa e muito curiosa do mundo que a rodeia. Chegamos ao 7 número mágico.
Eu...
Continuo encantada!

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Rostos

Quando olho os rostos, meus, de sempre posso agora dizer.
Quando olho os rostos meus, de sempre, sei, apenas sei.

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Tudo mais tranquilo

O último post é do João (!)

Está tudo mais tranquilo, tudo passará, à partida, com antibióticos.
Hoje será a festa dos pinguins no infantário!

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,ºiuçi
ººu+piplput«l'«ivr''io9jtyioyhur8kiulo'tu78ku

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Vida que não chega

Dia que não passa.

A nuvem das doenças voltou a passar, em forma de infecção que se instalou mais uma vez no pescoço do pai. Ainda não há diagnósticos, nem prognósticos, mas medicação que pelo menos anastesiou a dor e diminuiu o inchaço.

Voltamo-nos para dentro, para o que é nosso, para o estar juntos. Para o aqui é que vale a pena estar, neste cantinho de mundo a que chamamos lar e onde todos os céus sonhados têm cor de ardentos desejos e de mundos para conquistar.

Talvez por o apelo do estar em Casa seja tão forte, talvez porque o regresso ao trabalho a tempo inteiro se tenha dado há pouco mais de um mês, tudo o que está para lá da porta da nossa pequena casa, parece-me hoje pequeno, entediante e frustante.

Nunca precisei tanto de trabalhar... e nunca senti como hoje, que não é este o meu lugar, que aqui não sou quem Sou... que os meus sonhos não vivem nos meus dias.

Quero muito lutar por mim, pelos meus, pelos dias que hão-de vir... E não consigo encontrar a chave que irá ligar a ingnição do tanto que guardo aqui tão dentro e que hoje se resigna a estar simplesmente adormecido.

E voo para os nossos fins de dia, sempre apressados, entre banhos, cozinha, jantares, deitar um, deitar outro, beijos afogados em almofadas.

Ninguém devia viver só ao entardecer!

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