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Momentos

Há momentos e cores que definem os dias


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a minha hora

esta é a minha hora. a hora em que o silêncio toma conta dos sonhos cor-de-mais-qualquer-coisa. a hora em que depois de todas as pestanas se fecharem e a respiração tomar um ritmo compassado. as portas se encostam para que o mundo dos sonhos seja deles, e eu me re-centre no meu umbigo. esta é a hora em que tantas vezes não sei onde pousar os olhos, não sei onde esconder as mãos...

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Era Verão

e nós aprendíamos a partilhar








e a cuidar dos mais pequeninos.

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Horas contadas

Acho sempre que o tempo é pouco, que não serei capaz de registar nada que valha as linhas que ocupa. Que a mente esvazia-se face à quase imposição de um: tenho de escrever um post se não a Fábrica fecha. E cá estou eu de coração e palavras em riste, na batalha para que os dias que escorrem se possam também aqui espelhar.  A culpa é do tempo, esse malvado roubador de textos em Fábricas de meninos. E do corre corre lufa lufa e cérebro desmaiado no final de tantos dias.
A esses, os dias, gosto de os ver a derreter, devagar, a serem preguiçosos e demorados e as horas em que somos "todos" se encherem de toques, abraços, gargalhadas, mimos, consolos, mais mimos, beijos e olhos que se tocam, num quero tanto que sejas meu para sempre. E este para sempre enche-me o peito, para os dias pé-de-lebre que nos fogem dos dedos, que nos fogem dos olhos... os dias mais rotineiros, mas injustos, em que há sempre a pressa de qualquer coisa, a hora de acordar, a rapidez no vestir, as mãos cheias de meninos e mochilas e casacos e minutos, muitos minutos a encher... um tempo de outras vidas, outras lutas e de nova a corrida do tirano tempo, despe, banho, sopas, pratos cheios, alguns beijos. Já é tão tarde, rápido para a cama, uma história que se acaba, o tempo é de dormir.

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Primeira composição do João

Mãe vai buscar um papel que eu quero escrever umas coisas, como se a mãe não se mostrasse muito disponível, pouco tempo depois voltou à mesa já de papel e lapiseira na mão. Quero escrever. Põe aí as letras que eu vou dizer. A mãe mostrou um ar de pouco interesse, talvez algumas letras do abecedário a permitissem voltar a estar atenta à conversa que circulava em volta da mesa familiar. A folha encheu-se numa guerra de letras, assim lhe chamou o João, e este foi o resultado final:

Ainda teve direito a uma pequena ilustração. O tempo haverá de dizer que a esta se seguirão muitas "guerras de letras" ou outras histórias mais apaziguadas com o seu autor.

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O regresso dos pais autoritários

Recebi por mail por uma caríssima amiga, e à falta de palavras minhas que venham brilhar neste blog, deixo-me algo que me parece muito muito pertinente.


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Os pais têm de recuperar a autoridade perdida e deixarem de querer agradar aos filhos, ou o mundo estará perdido, afirma um dos mais famosos pediatras do mundo. Fomos saber porquê.


Catarina Fonseca/ACTIVA | 10 Fev. 2010

Confesso que ia um bocado amedrontada. Afinal, ia entrevistar um dos homens responsáveis por um dos maiores escândalos educativos das últimas décadas, o homem que defendera a urgência do regresso ao poder dos pais contra os todo-poderosos filhos.
Acusado de tudo, de fascista para baixo, o pediatra líbio-francês Aldo Naouri diz que os pais se demitiram do seu papel de educadores e em vez disso se dedicam a satisfazer a criança, com o único desejo de se fazerem amar. Diz que confundimos frustração com privação. Diz que transmitimos à criança que não só pode ter tudo como tem direito a tudo, içando-a ao topo do edifício familiar, onde ela nunca esteve e onde nunca deveria estar. Diz que um filho hoje não é criado para se tornar ele próprio, mas para gratificar e servir o narcisismo dos pais. Diz que estamos perante uma epidemia que encoraja os pais a seduzirem as crianças, tornando-as assim em seres obsessivos, inseguros, amorfos e emocionalmente ineptos, que não sabem gerir as suas pulsões e são incapazes de encontrar o seu lugar no mundo.
Em resumo, esperava alguém mais parecido com o Deus do Velho Testamento, que me recebesse com raios e coriscos, ou pelo menos uma praga de gafanhotos. Em vez disso, recebeu-me com um sorriso só equivalente ao sol de Lisboa, agarrou-me na mão, perguntou-me por que é que não tinha filhos e assegurou-me que os homens são todos uns egoístas. "Portanto, madame, é só escolher um! São todos iguais!"

Por entre gargalhadas, falou-se de coisas muito sérias, como aquilo que andamos a fazer às crianças. Ora leiam.

- Então, nada de democracia para as crianças?
- Não. É fundamental que estejam numa relação vertical: os pais em cima, as crianças em baixo. Porque há uma diferença entre educar e criar. Criar é dar-lhe os cuidados básicos, dar-lhe banho, alimentá-lo, etc. É como criar galinhas. Educar é haver qualquer coisa que não existe e que é preciso formar. Por isso a criança não está nunca ao mesmo nível dos pais, não pode haver uma relação horizontal. Se quiser compreender o que se passa na cabeça de uma criança numa relação horizontal, imagine o seguinte: você está num avião, e o comandante vem sentar-se ao seu lado. Você pergunta, Mas quem é que está a guiar o avião? E ele diz, 'Ah, é um passageiro da primeira fila que eu pus no meu lugar.' A criança tem necessidade de alguém acima dela.

- As mães não se escandalizam com a mudança de hábitos que lhes aconselha?
- Nada disso. As mães estão petrificadas na sua angústia e precisam de se libertar. Eu digo, 'mas não vale a pena angustiarem-se dessa maneira, ser mãe é muito mais simples do que vocês pensam'. Digo-lhes que não vale a pena viverem preocupadas porque a criança não come, não dorme, ou vai ter ciúmes do irmão. Dou-lhes conselhos básicos e fáceis de seguir e tento fazer com que simplifiquem a máximo as suas vidas. O que eu quero é que a criança seja para os pais uma fonte de prazer e felicidade, e não um foco de sofrimento e angústia, e para que isso aconteça, os pais têm de estar descontraídos.

- As nossas avós não viviam nessa angústia...
- Pois não. Mas viviam num mundo em que havia três tipos de ordem: Deus, Rei e pai. Esse tipo de ordem fazia com que existisse qualquer coisa que as transcendia. Hoje todo o tipo de transcendência desapareceu, e quem ficou no lugar de Deus? A criança. Às mães que põem o filho nesse altar, eu simplifico a tarefa: digo - Não se cansem dessa maneira. Não se preocupem assim. Ponham-se a vocês próprias em primeiro lugar. Claro que não é uma coisa que elas estejam habituadas a fazer, ou sequer a ouvir, mas não é por isso que não podemos dizer-lhes, e não é por isso que elas vão deixar de ser capazes de o fazer. Acredito que vão ser capazes, porque é urgente: a bem das crianças, e a bem delas próprias. É preciso fazer as coisas de maneira tranquila, porque a mãe perfeita não existe, o pai perfeito não existe, a criança perfeita não existe.

- Mas as mães hoje têm uma vida tão difícil, é normal que se culpabilizem...
- Não é por trabalharem fora de casa que têm de se sentir culpadas. Peço às mães: lembrem-se do vosso primeiro amor. Quando não o viam durante três dias, morriam de saudades. Mas quando o voltavam a ver, assim que batiam os olhos nele era como se nunca se tivessem separado. Com as crianças, é exactamente igual. Quando tornam a encontrar a mãe, é como se ela nunca tivesse partido.

- Diz que os pais esqueceram o seu papel de educadores porque querem ser amados pelas crianças. Por que é que isto acontece?
- Como todas as crianças, tiveram conflitos com os pais. E como todas as crianças, amam-nos mas guardaram muitos ressentimentos. E não querem que os seus filhos tenham esse tipo de ressentimento em relação a eles. E pensam que a melhor maneira de o fazer é seduzir a criança para que ela o ame. O que é um enorme erro. Porque nesse momento, a relação vertical inverte-se. A hierarquia fica de pernas para o ar, e quando isso acontece, destruímos a crianças.

- O problema é que as pessoas confundem autoridade com violência. Autoridade é fazer-se obedecer, não é dar uma palmada, que o senhor aliás desaprova.
- Completamente! Não aprovo palmadas de que género for, nem na mão nem no rabo. Ter autoridade não é agredir a criança. Ter autoridade é dizer: 'Quero isto', e esperar ser obedecido. Quero que faças isto porque eu disse, e pronto. Autoridade é só isto, é assumir o seu dever. Não vale a pena ser violento, aliás porque a criança sente a autoridade. É quando o pai ou a mãe não está seguro do seu poder que a criança tenta ir mais longe. Quando há uma decisão que é assumida pelos pais, ela cumpre-a.

- Uma terapeuta de casal dizia que as pessoas hoje não têm falta de erotismo, dirigem-no é todo para as crianças...
- Sem dúvida. E é isso que é urgente mudar. O slogan 'a criança acima de tudo' deve ser substituído por 'o casal acima de tudo'. A saúde física e psíquica das crianças fabrica-se na cama dos pais. Por que isso não acontece é que há tantos divórcios, e depois a vida torna-se muito mais complicada para a mãe, o pai e a criança. Se elas decidem privilegiar a relação de casal, estão a proteger a criança.

- Educou os seus filhos da forma que defende?
- Sim sim, eu eduquei os meus três filhos tranquilamente. A autoridade significa serenidade, não violência. Ainda hoje, que eles já são mais do que adultos, nos reunimos às vezes para jantar. E no outro dia, falámos sobre as viagens de carro que costumávamos fazer - sempre viajei muito com eles. Quando se portavam mal, eu virava-me para trás e dizia: - Olhem que eu páro o carro e deixo-vos a todos aqui na autoestrada! - Só há pouco tempo é que percebi que eles achavam que eu estava a falar a sério e que seria capaz de os abandonar na estrada! (ri). Tal é a força da autoridade. Mas isso não tem importância, o importante é que funcionava! (ri)

- Diz que o pai tem de ser egoísta mas também diz que uma das tragédias do mundo moderno é a ausência do pai... Qual é então o papel do pai, para lá de ser egoísta?
- Tem duas funções: a primeira é a de possibilitar à mãe o exercício da sua feminilidade. A segunda é a de se oferecer ao filho ou filha como um escudo contra a invasão da mãe. Porque de outra maneira, a mãe vai tecer à volta do seu filho um útero virtual, extensível até ao infinito. O pai não está presente como a mãe, mas é preciso que esteja presente.

- Mas hoje exige-se aos pais que façam uma data de coisas, que mudem fraldas, que ponham a arrotar, que ensinem karaté...
- Não é preciso. Porque na cabeça das crianças tudo está muito claro: aquela que o filho ama acima de tudo é a mãe, que sempre respondeu às suas necessidades desde que estava na sua barriga. Se alguém lhe diz 'não', mesmo que seja a mãe, para ele a culpa é do pai. Ou quando muito, da não-mãe. No inconsciente de uma criança, o pai não existe. Só há a mãe. O pai tem de se construir, a bem das crianças e a bem da mãe delas.

- Antes de ler este livro não tinha consciência de que as crianças estavam tão perturbadas.
- Li um artigo recentemente do director do centro médico-pedagógico de Paris, que afirmava que em 2008 tinha recebido 394 novas famílias, e que a maior parte tinham problemas psicológicos. No fim da primária, 40% dos alunos ainda não dominam a língua, e isto é grave. E não porque tenham problemas físicos ou sejam burros: é porque não os sabemos educar. Mas é uma tarefa difícil, porque mesmo as instâncias governativas vão no sentido de seduzir a criança. Porque as crianças vendem, são um produto que se compra e se compara. Todo o mundo vai no sentido de deixar a criança fazer o que quer, porque é mais fácil que ela não cresça. Mas o que vai acontecer é que essas crianças, se não travadas, vão crescer e fabricar sociedades absolutamente abomináveis, onde será cada um por si, onde não haverá solidariedade.

- Nem cientistas... É o senhor quem o diz...
- (ri). Apesar de tudo, estou optimista. As pessoas querem saber como podem mudar. Não sou o único a dizer estas coisas, mas digo-as de forma bruta. Tenho 40 anos de experiência com pais e crianças. E é muito fácil mudar, quando começamos a ver a lógica das coisas. Além disso, o que eu pretendo é simplificar a vida das pessoas. Não quero voltar àquilo que se fazia há um século. Não quero pais castradores.

- O que é um pai castrador?
- Não é um pai autoritário, é um pai fraco, intranquilo, desconfortável na sua pele e na sua posição. O que eu digo é, a sua posição como pai ou mãe está assegurada à partida. Só tem de exercê-la. Uma vez, apareceu-me uma mãe muito alarmada porque a filha não dormia. Aconselhei-a a dizer à criança, antes de dormir: 'Podes dormir tranquila. Não preciso mais de ti hoje.' E a criança dormiu a noite toda. Por isso eu digo no fim das consultas, a todas as crianças, tenham elas 1, 7 ou 14 anos, 'Muito obrigado por me teres trazido os teus pais à consulta. Agora podes ficar descansado, eu ocupo-me deles.'


O QUE DEVEMOS FAZER...
Palavra de ordem: não compliquem.
Segundo Aldo Naouri, o esterilizador de biberões não faz sentido, nem desinfectar o mamilo.
- Os biberões devem lavar-se com água  quente da torneira.
- As nádegas do bebé devem ser lavadas com água e sabão.
- A roupa do bebé pode ser enfiada na máquina como o resto da roupa de casa.
- Em todas as idades, devem tomar-se as refeições familiares em conjunto.
- Um adolescente pode ir vestido da maneira que bem-entender.
- Petiscar, no caso de um adolescente, não é de condenar, porque precisam de imensas calorias.

 E O QUE NÃO DEVEMOS...
- Rituais antes de dormir, como a história ou a cantiga, é para irem à vida. Só servem para ritualizar o medo da criança. Deve-se mandar a criança para o quarto, e aí ela fará o que quiser com o seu tempo.
- Angustiar-nos com as horas de sono. É absolutamente necessário livrarmo-nos da obsessão do número de horas que eles dormem.
- Nunca, em circunstância alguma, se deve obrigar uma criança a comer.
- Biberão, chupeta e objectos de transição devem desaparecer antes do fim do segundo ano da criança.
- Bater nunca: nem na mão nem no rabo.
- Elogiar, só para coisas excepcionais.
- A criança não deve escolher a sua roupa.
- Uma ordem não tem de ser explicada, tem de ser executada. A explicação que é dada ao mesmo tempo que a ordem apaga a hierarquia. Se quiser explicar, só depois da ordem cumprida. A figura parental nunca, mas nunca, tem de se justificar perante o filho.


Para ler: 'Educar os Filhos', Aldo Naouri, Livros d'Hoje

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Escolhas nossas de cada dia


Todos os dias somos colocados perante escolhas. Difíceis, fáceis, algumas maiores, outras às quais não atribuímos grande importância. Somos confrontados também todos os dias com o resultado das nossas escolhas, somos aquilo que fazemos, as portas que fechamos, a brisa que recebemos, somos um produto de infinitas escolhas acumuladas e é com elas que temos de atravessar cada dia, de decisões outras e assim construindo o nosso universo.
Na maioria dos dias estou de bem com as minhas, apaziguadas a um canto da consciência, se as procuro desfilar perante os meus olhos e a minha memória, geralmente possuem todas a sua explicação, o seu quê de perfeito, a sua ordem naquela que represento e que me apresento.
Felizmente não existem escolhas difíceis todos os dias, as que fazem parte do dia a dia parecem ser remetidas para uma ala imaterial do cérebro e lá permanecerem na sua inconsistência consciente.
Hoje, são essas escolhas que desfilam na minha mente, as escolhas que fazemos dia a dia, ao educar, ao mostrar, ao dar, ao tirar, ao abrir, ao castrar... inúmeras pequenas acções que vão imprimindo carácter, vão moldando as suas pequenas vidas.
Uma amiga que tanto sabe disse-me um dia para escolher as batalhas, nunca as irei ganhar todas, por isso fazer uma lista daquilo que considero mesmo importante não ceder, e manter-me fiel a essa lista. Nas outras coisas, um pouco de maneabilidade não fará mal. Fiz a lista mentalmente, sei na teoria, o que é necessário para que eu considere alguém uma boa pessoa, ou uma pessoa só assim assim, ou até má. Sei na teoria.  E sei que os super-heróis são os bons da fita, e que os vilões são os maus.  Sei que "respeito" e "serenidade" são conceitos demasiado abstractos para serem ensinados, e que por vezes precisamos de ajuda para conseguir explicar, com palavras mais pequenas, aquilo que queremos explicar. Sei que é importante o exemplo, sei que mil vezes poderei mostrar com o meu comportamento aquilo que tantas palavras não poderão explicar.
E sei também que há horas de tudo, há horas em que a voz se mantém firme sem perder a serenidade, e há horas outras em que sem saber muito bem de onde, a voz se avoluma, e a minha figura fica do tamanho das sombras e faz tudo aquilo que eu lhes digo para não fazer.
Sei que há horas que provavelmente estarei a fazer a coisa mais acertada, se a coisa acertada existir, e sei que há outras que estarei redondamente a errar. Sei que o meu desejo de permanentemente fazer a escolha certa, agir da maneira correcta, não me impedirá nunca de errar.
Mas hoje estas palavras escorrem como prece, a prece das escolhas dos aflitos, dos que se deixam guiar, para que podendo estar a escolher bem, ou a escolher mal, eu possa sempre mostrar firmeza, serenidade e discernimento.
E quando a serenidade me abandonar, a voz se avolumar, e face a uma decisão a tomar para lhes mostrar um caminho eu pareça um gigante ensombrado, perdido aos seus e aos meus olhos sem saber o que fazer.  Que a vida possa mostrar-me a humildade de lhes fazer entender que as mães também erram, também por vezes se esquecem que gritar não é bonito, que se esquecem que há palavras que os filhos ainda não sabem entender, que não sabem muito bem se o castigo acaba ali ou se deve continuar, que não sabem por onde ir, porque alguém se esqueceu de nos mostrar o caminho.
E que a vida me possa dar a infinita capacidade de lhes mostrar que a cada escolha que fazemos, há algo que fica para trás e algo que nos imprime, na pele, nos olhos e na parte de dentro do peito, um Eu.
A minha escolha hoje foi a de despojar esta imperfeição, a das escolhas que nos marcam levemente, a das escolhas que residem dúvidas, estas escolhas pequeninas que se chamam educar, criar, amar, e que hoje me apertam o peito, e que amanhã não deixaram de apertar.
E de um abraço bem apertado nestas pequenas vidas que já não são minhas, no profundo desejo de lhes estar a mostrar o melhor caminho.

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