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O João está com uma pneumonia :(
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O papá terá de ficar em casa com os dois...
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Serão dias difíceis....
| à(s) domingo, outubro 26, 2008
O João está com uma pneumonia :(
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O papá terá de ficar em casa com os dois...
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Serão dias difíceis....





| à(s) quinta-feira, outubro 23, 2008
A vida não está toda desenhada nos dias que por aí vêm ao nosso encontro. Não se podem contar os dias como contas de um colar oferecido, há que as recolher, e uma a uma, ir colocando na linha que os segura e os alinha.
Assim vêm as surpresas, as boas e as que nos balançam... as que desejamos e as que nunca nos atrevemos a imaginar.
Na segunda feira a manhã aconteceu em dor forte... uma tentativa de viver o dia de modo normal, levar o João à escola, ir para o trabalho... e as dores a não me abandonarem. Sigo para as urgências... uma triagem absurda coloca-me pulseira verde e manda-me para fora esperar (quando sempre subi ao bloco de partos). Fui vista por um médico generalista uns 20 minutos depois... que me apalpou a barriga e então mandou subir ao bloco. Monitorização no cardiotocógrafo e umas 20 contrações em uma hora... fui observada e imediatamente internada... estava a entrar em trabalho de parto. Injectaram-me nas veias uma medicação durante mais de 12 horas.. que em pouco tempo aliviou a dor e parou as contracções. Mais injecções para darem maturidade aos pulmões da bebé caso ela se atrevesse mesmo a nascer. Três dias de internamento, sem me levantar para nada... (as aparadeiras são o objecto mais terrível em todo um hospital...).
A Clarinha sossegou mas com as contracções ficou toda encaixada e descida... voltamos ontem para casa... com recomendação de muito repouso... para ver se as semanas se alongam e multiplicam até ela crescer e maturar mais um pouco.
Reaprender então a paciência, o respeitar o tempo que dura cada hora, vencer cada dia...
Pensei que desta vez não iria conhecer o repouso, tudo indicava perfeição. Talvez um esforço a mais, talvez apenas o tem de ser inevitável das coisas... e um aceitar e esperar, com cuidado e com zelo em cada passo.
O João assumiu o internamento com seriedade, portando-se como um homem grande. Desde que cheguei a casa que está mais carente, pede a mãe... e a mãe não pode o ajudar, nem tratar. Posso mimar, quando chega ao fim do dia e se aninha ao meu lado no sofá.
É um treino e uma prova para todos... para os homens da casa, para o meu menino e para mim... o prémio chegará ao fim de cada semana vencida. Ao fim de cada dia em sossego.
oxalá minha linda Clara, possas te aquecer neste ventre por mais algum tempo.
Eu aqui te abrigarei!
| à(s) quarta-feira, outubro 15, 2008
Assim é o estado quase diário do João.
Prestes a explodir. Irritadiço. Pouco tolerante ao que não é do seu agrado. Com choros e gritos frequentes. Ataques de ansiedade se alguma coisa foge ao seu controlo. Voltou a fazer xixi na cama e tive de me resignar e voltar a colocar-lhe a fralda à noite. Não havia lençóis que resistissem. Se não faz xixi acorda entre pesadelos ou a dizer que já não quer dormir mais (coisa que nunca tinha acontecido). Ficou assim de repente. Sempre foi um menino teimoso e com alguns caprichos. Mas o comportamento das últimas semanas é quase incompreensível. Não sei se é ansiedade pela chegada da irmã. Se vou pensar que é uma fase e desculpar-lhe e depois fico com um tirano irascível em casa. Se o devo castigar... se o devo mimar...
Tento entender os motivos... à dias queixava-se que um amiguinho na escola (aquele amiguinho que já é do peito e de quem tanto fala) já não gostava mais dele, que não era seu amigo... eu pergunto-me onde é que uma criança que ainda nem 3 anos fez vai buscar estes sentimentos... tão próprios de outras infâncias.
Sei que ando ansiosa, a gravidez tem sido assim... tranquila fisicamente, mas cheia de ansiedade em mim. Talvez essa ansiedade também lhe chegue, e a sua reacção seja mostrar raiva. Não sei como agir... se castigo-o, se o abraço... sei que também não estou no auge dos meus limites e também me descontrolo. Nem sempre tenho a palavra certa... tão apregoada por psicólogos e afins nas afamadas revistas. Nem sempre temos o peso certo na balança das emoções.
Pelo sim pelo não, há um acordo mais ou menos implícito lá por casa de não falar demasiado na mana, deixar as coisas acontecerem, não puxar muito o assunto, pois no fundo, se começa já a sofrer quando nascer será a dobrar de qualquer maneira. Ele já sabe muitas coisas sobre a mana, às vezes puxa ele o assunto e então sim, conversa-se. Não lhe mostrei as roupinhas e mesmo os brinquedos que ele ajudou a separar por já serem de bebé, voltou a pedir um deles e tem dormido agarrado ao seu caracol durante a noite.
O pacto foi quebrado para ver o dvd com a fotografia da mana, cortesia do Sr. Pai Natal que mandou esta espécie de postal ainda antes de o presentear com a mana. Viu com a máxima atenção, com expressão de espanto e curiosidade. Não sei o que entendeu, nem o que sentiu... fica esse mistério de quanto da vida é que estes olhos pequeninos alcançam.
Quanto a nós, com curiosidade e com amor pelo mistério insondável que é o de vidas fazer vida, vimos também as primeiras imagens mais realistas do ser que aqui habita. Deslumbrados deixamo-nos a suspirar... está tudo bem, tudo tranquilo no reino do ventre.
Apresentamos aqui a mana Clara:
| à(s) quarta-feira, setembro 17, 2008
Assim o mundo de João segue... tranquilo... alheio a todos os desassossegos, a todos os percalços que por outros mundos fora vão acontecendo.
Voltar à escola foi difícil, mas a dificuldade foi breve, já encontrou a calma e a vontade para ir. Ainda por vezes reclama... mas desde que começou a ver o mano a sair cedinho de mochila às costas, teve vontade de ser igual... e participa com mais vontade nas manhãs.
E ao fim do dia, porque gosta do ar puro e da vida solta, pede, implora, chora, para ficar na casa dos avós!
Que delícia são os sábados de manhã, em mimo e aconchego, quando com cara de felicidade percebe que não vai à escola!
E mesmo que pareça de madrugada, ainda antes das oito da manhã já está a implorar para ir para a sala ver os seus "bonecos" na televisão... pena que a programação infantil, ao fim de semana, para quem não tem cabo seja tão desaquada para meninos pequenos...
Continua entusiasmado com a Clara, às vezes agarra-se à barrigota a chamar: Clarinha!? Clarinha!? Tás a nanar?!...
Diz a todos que a mana está na barriga da mãe, que vem com o Pai Natal... e às vezes faz miminhos... Ainda não sente cíumes que se notem, esses deve estar a guardá-los para quando tiver de dividir o colo!
E depois das férias sinto-o tão crescido... o meu homenzinho... que deixou a chupeta, que abandonou as fraldas de noite e de dia, tendo até agora apenas dois acidentes na cama... que joga à bola com emoção... que já gosta do benfica... e às vezes também do sporting e grita Por-tu-gal, Por-tu-gal! Que lava as mãos sozinho, que quer sempre fugir ao banho... que se ri dos seus próprios disparates, e dos nossos... E que se aninha no meu colo e no meu abraço ao fim do dia e beijando-me diz: Adoro-te! Tive muitas saudades tuas!
Às vezes, olhando-o na paz dos sonhos fico a imaginar como será possível sentir tanto amor outra vez, como será este multiplicar de afectos que nos fará pais ao quadrado e ao cubo... Como será ter o peito tão cheio e transbordante que o cansaço dos dias nunca nos escureça o coração. Como será? Como irá ser?
E ainda que por vezes me falhem as forças, e por momentos os dias pareçam desabar em peso... nunca um amanhecer deixou de trazer novo ânimo, nova alegria e renovadas forças... vamos ouvindo de tudo: ele ainda é tão pequenino, tão nova e já com tantos trabalhos, vão ser 3 em casa é muito complicado... vai ser muito difícil... Já, outro? Vocês não perdem tempo... e também os luminosos: que bom uma menina no meio dos rapazes, vai ser uma alegria enorme, é bom enquanto é nova... Daqui a pouco estão todos criados. E a verdade... é que já esta realidade me serve, me ilumina... é a minha, e apesar de ainda ser difícil me maginar com um bebé extra pequenino nos braços, a ideia de sermos esta grande família dá-me uma felicidade algo misteriosa, nos tempos que correm... em que no nosso país ainda há o culto do filho único, quer por dificuldades, quer por outras prioridades... neste país em que os filhos e a família ainda não estão em primeiro lugar das prioridades de quem manda... neste país em que dar a primazia à família é muitas vezes prejudicarmo-nos no emprego... neste país que é o meu... ser esta família que caminha para o XL... que nem nos cabe no carro... é como ter um segredo guardado no cofre dos tesouros e sorrir por dentro... por o guardar.
A gravidez corre bem, alguma azia, algum edema nas pernas em dias mais longos, algumas dores musculares ao acordar, mas tudo sereno, tudo tranquilo nesta espera. Os preparativos estão algo atrasados, talvez, para corações mais ansiosos... durante este mês tentaremos que fique tudo mais ou menos definido... o cantinho no quarto dos pais, as roupas organizadas, os acessórios em falta... até lá a barriga vai anunciando progressos... e deixando-me cada vez mais redondinha e lenta! Com a chegada do Outono, o tempo parece querer dar um salto, as folhas já se vêm no chão... será para breve... este novo mundo em nós...
| à(s) sexta-feira, agosto 15, 2008
Surpreendente mesmo é a sua linguagem, e o modo com que associa conceitos e coisas que ainda não tínhamos percebido que ele já compreendia. Ouve atento tudo, tudo... e sorri se percebe que falamos dele. A mim encanta-me esta fase de menino mais crescido e sabidolas, e ainda tão bebé que cabe no colo. Às vezes, com um olhar cristalino, que tudo regista, fixo-o assim, nesse estar tão seu, e demorando-me nos seu olhos tento guardar cada momento mágico só para mim.
As suas palavras enchem a casa e até, de vez em quando, enchem os sorrisos, de tão inteligentes ou tão disparatadas. As palavras, o adormecer ao meu lado, com o respirar sossegado por fim, no final de um dia de brincadeiras. Depois escapo-me com uma pequena mentira... vou buscar um casaco, vou levar o biberon à cozinha, e pondo a mão por dentro da sua camisola, buscando conforto, aconchega-se no seu mundo fabricado pelas noites, e adormece na luz verde pálida que inunda o quarto.
Ao fim do dia sinto-me geralmente muito cansada, com muito sono... mas invariavelmente muito feliz.
A Clara foi à Obstetra esta semana, pelas 20 da sua existência em mim. A barriga muito pequenita fez-me pensar se tudo estaria bem. O coraçãozinho palpitante e uns quantos pontapés fizeram o coração de mãe relaxar. A tensão baixíssima, uns míseros 4,6 - 8,9 deixaram uma cara de preocupação à enfermeira. Medida uns 10 minutos depois, tinha subido um pontinho... tomar um cafezito (ao qual enjoei e cortei por completo) e bacalhau :) não há muito mais a fazer... esta manhã o pequeno almoço (sem bacalhau) levou umas colherzinhas do pó energético. A mãe engordou já 2Kg, e apesar de ainda sentir alguns enjoos, já a azia de vez em quando aparece.
Para a semana faremos a Eco morfológica. Como sou atendida no Hospital, por aqui andei na gravidez muito difícil do João, e por adorar a minha médica, farei a Eco também aqui , mas odeio a insensibilidade do médico que faz as ecografias... vou respirar fundo e tentar confiar no profissionalismo e fazer pouco caso do modo como as palavras são ditas... se correr mal peço uma credencial e repito-a noutro sítio.
O João fala na Clara, às vezes com carinho, outras com manifesto desinteresse. Às vezes chama-lhe Rabiela (Gabriela, uma das hipóteses que nos ouviu a escolher). Sabe que é a mana dele, que é uma menina, e até já lhe tentou dar banho, molhando a minha barriga com o chuveiro. Espreita pelo umbigo á sua procura, e consentiu em ficar com a mão à espera que ela se mexesse. Como os movimentos são discretos, não sentiu nada, mas em conversa diz que sim, e hora diz que a mana está a dormir, ora que ela se está a mexer.
E enche de alegria os nossos corações a sobrinha Maria Inês que nasceu ontem pelo meio dia e meio. O parto foi rápido e mãe e filha na melhor forma. Ela é muito pequenina e cheia de um cabelinho muito preto. O João não a pode ir ver, não tem licensa para entrar no hospital, e ficou um pouco triste. Este ano é a segunda prima e assim vai-se habituando à ideia que os bebés escondidos na barriga, depois vêm muito pequeninos abrilhantar os nossos dias. Para a mana ainda faltam uns 4 meses, 4 meses para cativar, para conquistar o seu coração, e minimizar o impacto de ter de dividir todas as atenções. Com o mano grande não sente isso, pois o mano grande é mais um a dar mimo, a cuidar... mais um "grande" à volta do seu reinado.
Este mano grande está a viver connosco, a vida permita, que como é seu desejo fique connosco para sempre. A situação é delicada... mas aqui, dentro da nossa porta, neste abrigo de muralhas que chamamos casa. Tudo fica lá fora, os conflitos, a negligência, a incompreensão. Aqui dentro vive uma família de 5, na harmonia de todas as famílias, a desejar um futuro cada vez mais risonho só nosso. O joão encantado, por todos os dias, poder ir acordar o seu mano, aos saltos e aos beijos, com um abraço que é tão seu e tão nosso.
| à(s) sexta-feira, agosto 01, 2008
Descemos as escadas, rumo ao carro que nos levará a casa da Vovó, chegaram as férias da creche... as dos pais ainda esperam mais um pouco. À porta de casa vê uma senhora a fumar:
- Mamã as senhoras podem fumar?
- Podem filho, as senhoras e os senhores muito grandes podem fumar quando estão na rua, mas os pequeninos não podem fumar.
- Porquê?
E eu que descalce a bota...
- Porque se fumarem não crescem, nem ficam fortes, nem jogam à bola...
- Eu fumo com o dedo mamã!
E espeta o indicador na boca tirando-o em seguida e soprando como se fosse fumo...
- "..."
*
Ontem à noite... tentando escapar como sempre ao banho (depois de entrar não quer sair, mas para convence-lo a entrar é um sarilho), vem então sentar-se ao meu colo, já de chupeta na boca (que tem mais 15 dias de autorização de uso e depois terá de ir embora):
- Eu não quero tomar banho, eu tenho de ir dormir... (e apontando lá para fora diz) já tá muito de noite, vês?
Confesso: ele às vezes desconcerta-me!
**
A mana já tem nome...
como um presente que já se começa a desembrulhar:
CLARA!
podem-lhe chamar :D