Lilypie Fifth Birthday tickers

Lilypie Second Birthday tickers

Tranquilo

Assim o mundo de João segue... tranquilo... alheio a todos os desassossegos, a todos os percalços que por outros mundos fora vão acontecendo.
Voltar à escola foi difícil, mas a dificuldade foi breve, já encontrou a calma e a vontade para ir. Ainda por vezes reclama... mas desde que começou a ver o mano a sair cedinho de mochila às costas, teve vontade de ser igual... e participa com mais vontade nas manhãs.
E ao fim do dia, porque gosta do ar puro e da vida solta, pede, implora, chora, para ficar na casa dos avós!
Que delícia são os sábados de manhã, em mimo e aconchego, quando com cara de felicidade percebe que não vai à escola!

E mesmo que pareça de madrugada, ainda antes das oito da manhã já está a implorar para ir para a sala ver os seus "bonecos" na televisão... pena que a programação infantil, ao fim de semana, para quem não tem cabo seja tão desaquada para meninos pequenos...

Continua entusiasmado com a Clara, às vezes agarra-se à barrigota a chamar: Clarinha!? Clarinha!? Tás a nanar?!...
Diz a todos que a mana está na barriga da mãe, que vem com o Pai Natal... e às vezes faz miminhos... Ainda não sente cíumes que se notem, esses deve estar a guardá-los para quando tiver de dividir o colo!

E depois das férias sinto-o tão crescido... o meu homenzinho... que deixou a chupeta, que abandonou as fraldas de noite e de dia, tendo até agora apenas dois acidentes na cama... que joga à bola com emoção... que já gosta do benfica... e às vezes também do sporting e grita Por-tu-gal, Por-tu-gal! Que lava as mãos sozinho, que quer sempre fugir ao banho... que se ri dos seus próprios disparates, e dos nossos... E que se aninha no meu colo e no meu abraço ao fim do dia e beijando-me diz: Adoro-te! Tive muitas saudades tuas!

Às vezes, olhando-o na paz dos sonhos fico a imaginar como será possível sentir tanto amor outra vez, como será este multiplicar de afectos que nos fará pais ao quadrado e ao cubo... Como será ter o peito tão cheio e transbordante que o cansaço dos dias nunca nos escureça o coração. Como será? Como irá ser?

E ainda que por vezes me falhem as forças, e por momentos os dias pareçam desabar em peso... nunca um amanhecer deixou de trazer novo ânimo, nova alegria e renovadas forças... vamos ouvindo de tudo: ele ainda é tão pequenino, tão nova e já com tantos trabalhos, vão ser 3 em casa é muito complicado... vai ser muito difícil... Já, outro? Vocês não perdem tempo... e também os luminosos: que bom uma menina no meio dos rapazes, vai ser uma alegria enorme, é bom enquanto é nova... Daqui a pouco estão todos criados. E a verdade... é que já esta realidade me serve, me ilumina... é a minha, e apesar de ainda ser difícil me maginar com um bebé extra pequenino nos braços, a ideia de sermos esta grande família dá-me uma felicidade algo misteriosa, nos tempos que correm... em que no nosso país ainda há o culto do filho único, quer por dificuldades, quer por outras prioridades... neste país em que os filhos e a família ainda não estão em primeiro lugar das prioridades de quem manda... neste país em que dar a primazia à família é muitas vezes prejudicarmo-nos no emprego... neste país que é o meu... ser esta família que caminha para o XL... que nem nos cabe no carro... é como ter um segredo guardado no cofre dos tesouros e sorrir por dentro... por o guardar.

A gravidez corre bem, alguma azia, algum edema nas pernas em dias mais longos, algumas dores musculares ao acordar, mas tudo sereno, tudo tranquilo nesta espera. Os preparativos estão algo atrasados, talvez, para corações mais ansiosos... durante este mês tentaremos que fique tudo mais ou menos definido... o cantinho no quarto dos pais, as roupas organizadas, os acessórios em falta... até lá a barriga vai anunciando progressos... e deixando-me cada vez mais redondinha e lenta! Com a chegada do Outono, o tempo parece querer dar um salto, as folhas já se vêm no chão... será para breve... este novo mundo em nós...

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Surpreendente

Surpreendente mesmo é a sua linguagem, e o modo com que associa conceitos e coisas que ainda não tínhamos percebido que ele já compreendia. Ouve atento tudo, tudo... e sorri se percebe que falamos dele. A mim encanta-me esta fase de menino mais crescido e sabidolas, e ainda tão bebé que cabe no colo. Às vezes, com um olhar cristalino, que tudo regista, fixo-o assim, nesse estar tão seu, e demorando-me nos seu olhos tento guardar cada momento mágico só para mim.
As suas palavras enchem a casa e até, de vez em quando, enchem os sorrisos, de tão inteligentes ou tão disparatadas. As palavras, o adormecer ao meu lado, com o respirar sossegado por fim, no final de um dia de brincadeiras. Depois escapo-me com uma pequena mentira... vou buscar um casaco, vou levar o biberon à cozinha, e pondo a mão por dentro da sua camisola, buscando conforto, aconchega-se no seu mundo fabricado pelas noites, e adormece na luz verde pálida que inunda o quarto.
Ao fim do dia sinto-me geralmente muito cansada, com muito sono... mas invariavelmente muito feliz.

A Clara foi à Obstetra esta semana, pelas 20 da sua existência em mim. A barriga muito pequenita fez-me pensar se tudo estaria bem. O coraçãozinho palpitante e uns quantos pontapés fizeram o coração de mãe relaxar. A tensão baixíssima, uns míseros 4,6 - 8,9 deixaram uma cara de preocupação à enfermeira. Medida uns 10 minutos depois, tinha subido um pontinho... tomar um cafezito (ao qual enjoei e cortei por completo) e bacalhau :) não há muito mais a fazer... esta manhã o pequeno almoço (sem bacalhau) levou umas colherzinhas do pó energético. A mãe engordou já 2Kg, e apesar de ainda sentir alguns enjoos, já a azia de vez em quando aparece.
Para a semana faremos a Eco morfológica. Como sou atendida no Hospital, por aqui andei na gravidez muito difícil do João, e por adorar a minha médica, farei a Eco também aqui , mas odeio a insensibilidade do médico que faz as ecografias... vou respirar fundo e tentar confiar no profissionalismo e fazer pouco caso do modo como as palavras são ditas... se correr mal peço uma credencial e repito-a noutro sítio.


O João fala na Clara, às vezes com carinho, outras com manifesto desinteresse. Às vezes chama-lhe Rabiela (Gabriela, uma das hipóteses que nos ouviu a escolher). Sabe que é a mana dele, que é uma menina, e até já lhe tentou dar banho, molhando a minha barriga com o chuveiro. Espreita pelo umbigo á sua procura, e consentiu em ficar com a mão à espera que ela se mexesse. Como os movimentos são discretos, não sentiu nada, mas em conversa diz que sim, e hora diz que a mana está a dormir, ora que ela se está a mexer.

E enche de alegria os nossos corações a sobrinha Maria Inês que nasceu ontem pelo meio dia e meio. O parto foi rápido e mãe e filha na melhor forma. Ela é muito pequenina e cheia de um cabelinho muito preto. O João não a pode ir ver, não tem licensa para entrar no hospital, e ficou um pouco triste. Este ano é a segunda prima e assim vai-se habituando à ideia que os bebés escondidos na barriga, depois vêm muito pequeninos abrilhantar os nossos dias. Para a mana ainda faltam uns 4 meses, 4 meses para cativar, para conquistar o seu coração, e minimizar o impacto de ter de dividir todas as atenções. Com o mano grande não sente isso, pois o mano grande é mais um a dar mimo, a cuidar... mais um "grande" à volta do seu reinado.

Este mano grande está a viver connosco, a vida permita, que como é seu desejo fique connosco para sempre. A situação é delicada... mas aqui, dentro da nossa porta, neste abrigo de muralhas que chamamos casa. Tudo fica lá fora, os conflitos, a negligência, a incompreensão. Aqui dentro vive uma família de 5, na harmonia de todas as famílias, a desejar um futuro cada vez mais risonho só nosso. O joão encantado, por todos os dias, poder ir acordar o seu mano, aos saltos e aos beijos, com um abraço que é tão seu e tão nosso.

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Coisas

Descemos as escadas, rumo ao carro que nos levará a casa da Vovó, chegaram as férias da creche... as dos pais ainda esperam mais um pouco. À porta de casa vê uma senhora a fumar:

- Mamã as senhoras podem fumar?
- Podem filho, as senhoras e os senhores muito grandes podem fumar quando estão na rua, mas os pequeninos não podem fumar.
- Porquê?
E eu que descalce a bota...
- Porque se fumarem não crescem, nem ficam fortes, nem jogam à bola...
- Eu fumo com o dedo mamã!
E espeta o indicador na boca tirando-o em seguida e soprando como se fosse fumo...
- "..."

*
Ontem à noite... tentando escapar como sempre ao banho (depois de entrar não quer sair, mas para convence-lo a entrar é um sarilho), vem então sentar-se ao meu colo, já de chupeta na boca (que tem mais 15 dias de autorização de uso e depois terá de ir embora):
- Eu não quero tomar banho, eu tenho de ir dormir... (e apontando lá para fora diz) já tá muito de noite, vês?

Confesso: ele às vezes desconcerta-me!

**

A mana já tem nome...
como um presente que já se começa a desembrulhar:
CLARA!
podem-lhe chamar :D

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Hoje só na cabeça canta esta música

QUALQUER COISA
Caetano Veloso

Esse papo já tá qualquer coisa
Você já tá prá lá de Marraquesh
Mexe qualquer coisa dentro doida
Já qualquer coisa doida dentro mexe
Não se avexe não, baião de dois, deixe de manha, deixe de manha
Pois sem essa aranha, sem essa aranha, sem essa aranha
Nem a sanha arranha o carro, nem o sarro arranha a Espanha
Nessa tamanha, nessa tamanha, esse papo seu já tá de manhã
Berro pelo aterro, pelo desterro
Berro por seu berro, pelo seu erro
Quero que você ganhe, que você me apanhe
Sou o seu bezerro gritando mamãe
Esse papo seu tá qualquer coisa
E você tá prá lá de Teerã
Qualquer coisa...


E a vida já se sente.. ainda tímida no meu ventre...


Depois de uma noite de convívio prolongada para lá das horas convenientes a um menino, o João deitou-se para a sesta da tarde e ainda dorme profundamente... nem imagino que noite nos esperará se o sono acaba entretanto...

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Sem mais

Que num só fôlego se dá um abraço...

O resultado finalmente chegou, por um telefonema do centro de genética, e o veredicto é de saúde, nada de cromossomas a mais, nada de anomalias... pelo menos das que se suspeitavam... e que se podem ver.

Só saúde... e a certeza de que será uma mana para o João! A condição é que jogue à bola com ele, pois os manos são para jogar à bola. Espreita ao umbigo, estou a ver o bebé... e vai assimilando a ideia cada vez maio e mais redonda.


- O bebé saíu da tua barriga mamã?
- Não filho o bebé está cá dentro, mas o João já foi bebé pequenino e esteve aqui no quentinho da barriga, depois saiu cá para fora, e cresceu... como cresceu.

E cresce este sentimento de responsabiliade de ser mãe de dois, e mais um que é do pai mas também é meu.

Agora vou ali preparar-me para ser mãe de uma menina!

Ficamos no rosa com um até já.


;+)

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do tempo e dos caminhos nascidos

Do tempo do não registo, de crescimento, de sorrisos. Do tempo dos dias grandes, e do corre corre de todos os dias. Do tempo em que inesperadamente, tão sem aviso como a chuva que acontece no Verão, todos os caminhos se desenham com cores novas. Estas cores que hoje são as que pintam os nossos tempos para ser.
Pensei-me doente, tão cheia de pouca energia, tão avessa à luz dos dias. A descoberta foi tardia, face ao inquestionável, ao evidente, ao enjoo compulsivo, impossível de controlar. Já se contavam quase 11 semanas de uma nova vida, aqui tão dentro, deste ventre esquecido de si. De uma mãe já mãe, e não mãe para o futuro, não para o futuro tão próximo, agora que os projectos se costuravam nas malhas dos meses vindouros. Não neste futuro tão incerto, tão difícil, parecia o choro face ao acontecido querer dizer.
Num instante, breve quanto a folha que a brisa segura até cair, o futuro redesenhou-se, ganhou outros contornos, adelgaçou a cintura, e dando ordem ás pernas que caminham, cruzou as novas ruas com passos, primeiro tímidos, ganhando segurança e agora , ainda que ansiosos pela vida, já certeiros e decididos.
Aqui nos encontramos, neste novo mundo de esperanças. Neste milagre acontecido, aqui tão dentro que demorou a revelar. Neste espaço de outro mundo, pedaço de mim, que já não sou eu mas sim um outro.
João confunde as palavras, quer espreitar para esse novo mundo, confunde mano com Dudu, seu mano grande, e diz dizer que no ventre tenho um Dudu assim bebé pequenino.
Para o Natal teremos este belo presente, este que cresce devagarinho e já é tão nosso.

Quis o destino que também não fosse fácil desta vez, mas a ansiedade já aprendeu a se dominar face às contrariedades. Chamados para a amniocentese, depois de um rastreio com índice positivo, esperaremos ainda mais uma semana pelos resultados que confirmarão, ou não, as hipóteses não desejadas. Até lá, mais uma espera, que o tempo, sempre sábio, traga ventos de boa fortuna, de saúde, e de dias risonhos e redondos.

O João, sempre dono desta fábrica, está reguila e cada vez mais senhor do seu destino, esta semana, numa queda empurrada partiu o bordo dos dois dentes da frente modificando o sorriso dele e o nosso. Já não usa fralda durante o dia, e já não acontecem deslizes, o processo demorou largos meses, mas finalmente o sucesso. O sorriso, o cheiro, os seus mimos, são o que me dão mais força em todos os dias. Sabê-lo carne que saiu de mim, e que agora brilha e cintila no seu próprio horizonte.

Em breve seremos cinco, um redondo cinco, um imenso cinco.
Uma família como sempre admirei, mas nunca julguei que fosse a minha.

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30 meses

Um número bem redondo e feliz.
Muito traquina por sinal...
Sabe ser doce e meigo, sabe ser teimoso e provocador.
Delicía e desconcerta.
Assim tão nosso, este João.

Feliz neste 2 anos e meio!
Felizes. Nós!

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